José Eugênio Ferreira
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| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | José Eugênio Ferreira | |
| Data de nasc. | 2 de junho de 1888 | |
| Local de nasc. | Santa Bárbara | |
| Data de morte | 25 de abril de 1920 | |
| Local da morte | Belo Horizonte | |
| Apelido(s) | ||
| Informações profissionais | ||
| Clube atual | - | |
| Último clube | Provavelmente | |
| Posição | Goleiro | |
| Revelado por | Provavelmente | |
| Total de jogos pelo Galo | ||
| Jogos | 18 | |
| Estreia | Atlético 7 x 0 Granberyense | |
| Vitórias | 13 | |
| Empates | 02 | |
| Derrotas | 03 | |
| Títulos | Taça Bueno Brandão Campeonato Mineiro 1915 | |
| Observações | Primeiro atleta negro da história do Atlético | |
| Atualizado em | 12 de junho de 2026 | |
Importante Descoberta
O primeiro atleta negro do Clube Atlético Mineiro foi o goleiro J. Ferreira, que atuou no quadro principal do Galo a partir de 1912, tendo sido o "keeper" do time campeão da Taça Bueno Brandão de 1914. A competição foi a percussora do Campeonato Mineiro e o primeiro troféu da história Alvinegra e o mais antigo do futebol de Minas Gerais.
Por anos, a identificação do arqueiro era "João Ferreira". Porém, Vitor Dias, membro da Rede da Memória Atleticana, grupo de pesquisadores do Centro Atleticano de Memória, conseguiu uma importante revelação e correção de um personagem que rompeu barreiras no futebol mineiro: seu verdadeiro nome é José Eugênio Ferreira.
Agora, mais do que o nome completo do primeiro jogador negro do Atlético, também podemos ampliar a sua biografia: José Ferreira nasceu em 2 de junho de 1888, em Santa Bárbara-MG, filho de Pedro Ignez Ferreira e Generosa Baião Ferreira. Exerceu a profissão de tipógrafo e morou na Rua Salinas.
O goleiro defendeu o Yale em 1911, antes de, assim como outros "sportsmen", fazer parte da equipe do Atlético. Infelizmente, José Ferreira foi vítima de tuberculose e faleceu precocemente em 25 de abril 1920, aos 32 anos.
Poucos dias depois, sua mãe publicou uma nota "de eterna gratidão" a quem se sensibilizou pela morte do ex-atleta. Entre as entidades citadas, os "membros do Club Atlético Mineiro".
Biografia
A trajetória do goleiro José Ferreira, campeão mineiro de 1915 pelo Atlético, ilustrava de forma emblemática a dificuldade em recuperar informações biográficas sobre atletas negros do início do século XX. Apesar de sua participação em um marco histórico do futebol belo-horizontino, havia grande dificuldade de encontrar registros consistentes sobre sua origem, profissão ou vida familiar. Essa lacuna não era fruto apenas da casualidade documental: ela se inseria em um processo mais amplo de invisibilização da população negra na história da cidade e do esporte, sustentado por mecanismos de racismo estrutural e institucional [1][2].
A construção de Belo Horizonte (1894–1897), sobre o antigo Arraial do Curral Del Rey, ocorreu em um território onde, segundo o censo de 1872, africanos, pretos e pardos constituíam a maioria da população, com predominância de mulheres negras livres[1][3].
Contudo, a implantação da nova capital implicou a remoção forçada de moradores pobres (em sua maioria negros) para áreas periféricas, consolidando desde cedo uma segregação racial e socioeconômica [1][3]. A narrativa oficial da cidade, centrada na modernidade republicana e no branqueamento simbólico, relegou a população negra a papéis secundários ou invisíveis [2].
Entre os mecanismos que explicam a escassez de informações sobre indivíduos negros da época, destacam-se: Precariedade e seletividade dos registros civis[1]; Mobilidade forçada e moradia precária[1][3]; dificultando a rastreabilidade documental; Cobertura jornalística elitista, que omitia ou minimizava referências pessoais de atletas negros; Trabalho paralelo invisibilizado, em ocupações não registradas formalmente; Desvalorização simbólica, que impedia a preservação de trajetórias negras na memória oficial [2].
No Atlético
No início do século XX, o futebol brasileiro vivia uma tensão entre a inclusão de jogadores negros e o desejo de manter a imagem do esporte associada às elites brancas. Em Belo Horizonte, embora clubes como o Atlético contassem com atletas negros e mestiços, as crônicas esportivas raramente lhes atribuíam destaque biográfico, privilegiando registros de desempenho em campo sem contextualização social, a exemplo do que se pode observar nos periódicos da época, como o Minas Geraes. Essa prática reforçava a condição de “presença efêmera” dos atletas negros na história oficial do esporte. A ausência de informações sobre José Ferreira pode ser compreendida como resultado direto desse ambiente social. Sua atuação como goleiro campeão em 1915 não foi suficiente para garantir que sua trajetória fosse preservada. Inserido em uma comunidade historicamente marginalizada e com acesso restrito a meios formais de registro e reconhecimento, José Ferreira tornou-se vítima do mesmo processo que invisibilizou tantos trabalhadores negros urbanos na história de Belo Horizonte [1].
Assim, o silêncio sobre sua vida não é apenas uma lacuna factual: é a expressão de um padrão histórico de exclusão, no qual a contribuição negra para a cidade e para o futebol foi sistematicamente subdocumentada. O caso de José Ferreira evidencia como o estudo de trajetórias individuais pode revelar os mecanismos estruturais de apagamento da memória negra. Ao situá-lo no contexto mais amplo das condições de vida da população negra de Belo Horizonte no pós-abolição, torna-se possível compreender que a escassez de dados biográficos não decorre de um “acidente” documental, mas de um processo histórico deliberado de marginalização [1][2][3]. Investigar o goleiro José Ferreira é também investigar como se construiu (e ainda se constrói) a memória seletiva do esporte e da cidade.
Ficha Técnica
Nome: José Ferreira
Posição: Goleiro
Data de Nascimento: Desconhecida
Local: Desconhecido
Curiosidades
Carreira
Yale - 1911-?
Atlético - 1913-1916
Títulos
1914 -
Taça Bueno Brandão - Atlético
1915 -
Campeonato Mineiro - Atlético
Fotos
Lista de Partidas
- 1913
Atlético 7 x 0 Granberyense
Morro Velho 3 x 2 Atlético
- 1914
Atlético 2 x 0 Yale
América-MG 0 x 4 Atlético
Atlético 1 x 0 América-MG
Yale 0 x 0 Atlético
Atlético 2 x 0 Combinado América-MG/Yale
- 1915
Atlético 5 x 0 Yale
Atlético 2 x 2 América-MG
Hygienicos 0 x 4 Higiênicos
Cristóvão Colombo 1 x 0 Atlético
Atlético 3 x 0 Granberyense
Yale 1 x 3 Atlético
Atlético 2 x 1 América-MG
Atlético 4 x 0 Cristóvão Colombo
- 1916
América-MG 3 x 0 Atlético
Atlético 1 x 0 Higiênicos
Atlético 2 x 1 Yale
A lista ainda se encontra incompleta.
Referências
- ↑ 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 Pereira, J. A. (2019). Para além do horizonte planejado: racismo e produção do espaço urbano em Belo Horizonte (séculos XIX e XX). Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas.
- ↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 Pereira, J. A. (2020). A eloquência dos silêncios: racismo e produção de esquecimento sobre a população negra em narrativas de memória das cidades. Revista da ABPN, 12(34), 439–462.
- ↑ 3,0 3,1 3,2 3,3 Pereira, J. A. (2021). A eloquência dos silêncios. Estado de Minas, 19 nov. 2021.
